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Считается, что одной из причин, погубивших экспедицию Беринга, стала потеря времени и сил, потраченных на поиски мифической "Земли Гамы". Географы того времени наносили "Землю Гамы" на все карты Тихого океана; считалось, что именно там и размножаются драгоценные "морские бобры" - каланы. Земля оказалась мифом. Но кто же такой Гама? Всё, что о нём было известно европейским географам XVIII в.- то, что бало помечено на карте поругальского картографа Тексейры (Texeira) 1649 г.:" Terra q. vio Do Joao da Gama Indo, da China pera Nova Espana." Встречаются утверждения, что "Жуан де Гама" родился в португальской Индии, в Гоа (ну, раз он Indo). Ну и всё.
Возникает вопрос: неужели сами португальцы ничего не знают о таинственном Гаме?
Оказывается, знают. Попалась статья José Manuel Garcia "Relações históricas entre Macau e as Filipinas: uma perspectiva portuguesa"
(Anuario de Estudios Americanos, 65, 2, julio-diciembre, 39-70, Sevilla (Espana), 2008)
Но перевод с португальского оказался выше моих сил. Если я верно понял, Жоао да Гама был уроженцем Португалии, притом внуком известного Васко да Гамы (если слово "внук" следует понимать буквально). Служил капитаном в Малакке, потом в Макао, откуда и предпринял контрабандное путешествие в Мексику. Мексика была вотчиной Испании, соответственно, сообщение Америка-Азия испанцы и осуществляли (из Манилы), а португальцы на этом теряли. Впрочем, одно путешествие из Макао в Мексику уже было - испанского галеона "Св. Мартин", гружёного товарами купцов как испанских, так и португальских. И вот Жоао да Гама в 1589 г. взялся повторить маршрут. В самом начале путешествия его корабль попал в шторм и зашёл на ремонт в Японию - этим и объясняется его крюк к северу. По выходе же из Японии он и разглядел на севере землю - ту самую "Землю Гамы", которую так печально пришлось закрывать Берингу и Чирикову. Принято полагать, что видел португалец Курилы. В Акапулько Жоао да Гаму местные власти арестовали, часть груза, ему принадлежавшую, конфисковали. В то время как его спутники-купцы - не без мытарств, через Манилу, - но вернулись в Макао с мексиканским серебром, капитана-контрабандиста повезли судить в Испанию. Тут и оказалось, что Жоао да Гама - первый человек, кто достоверно совершил кругосветку "против шерсти" - т.е. двигаясь на восток (а не на запад, как Магеллан).
Я обращаюсь к знающим португальский за поправками и, быть может, дополнениями. Если, конечно не в тягость. И как правильно: Тексейра или Тешейра? И что означает Dom?


Foi no contexto da realização de negócios muito proveitosos nos anos 80 do século XVI do Macau-Manila-México que foi levado a cabo por dom João da Gama um dos empreendimentos mais surpreendentes deste tempo. Com efeito este neto de Vasco da Gama realizou em 1589-1590 a única viagem de um navio português que atravessou o Pacífico nos séculos XVI a XVIII, indo de Macau e Acapulco, à imitação do que fizera em 1584 o galeão espanhol San Martín.
Dom João da Gama fôra capitão de Malaca entre 1579 e 1582, onde aclamou Filipe I em 23 de Novembro de 1581, tendo feito em 1588 "uma viagem da China", estando então muito bem visto em Macau, como se pode ver pela carta que a câmara de Macau escreveu ao rei a 30 de Junho de 1588, na qual se louva Gama, então capitão de Macau e Japão. Aí se pedia ainda ao rei que lhe fosse concedida vitaliciamente esta capitania, além de lhe referir o prejuízo das viagens da Nova Espanha para Macau e os motivos por que deviam ser proibidas, salientando o perigo dos navios espanhóis serem apresados pelos ingleses, aproveitando a ocasião para pedir autorização para os moradores de Macau irem com suas fazendas à Nova Espanha com a desculpa de que com o produto da viagem poderiam sustentar igrejas, a misericórdia e dois hospitais, sendo um de leprosos. A posição favorável ao mencionado fidalgo aqui manifestada viria ser depois alterada quando se verificou que este armou uma grande nau de 600 toneladas que em vez de ir de Macau para a Índia foi para o México, onde se poderiam realizar negócios muito mais lucrativos, os quais eram cobiçados pelos moradores de Macau, como acabámos de ver.br />

Идея сверхприбыльного бизнеса и вдохновила в 80-е годы XVI века переход Макао-Манила-Мексика, совершённый Жоао да Гама, – одно из самых удивительных событий того времени. Именно этот внук Васко да Гама проложил в 1589-1590 гг. маршрут португальским кораблям, которые в XVI–XVIII веках пересекали Тихий океан из Макао в Акапулько, в подражание тому, что сделал в 1584 году испанский галеон «Сан-Мартин».
Дом Жоао да Гама был капитаном Малакки между 1579 и 1582, где был поощрён Филиппом I (23 ноября 1581 года), а в 1588 году совершил «Китайское путешествие» и был высоко оценен в Макао, как видно из письма палаты Макао королю от 30 июня 1588 года с похвалой Гамы как капитана Макао и Японии.


A decisão de dom João da Gama foi tomada com o conhecimento prévio da sua ilegalidade, pois era bem sabida a proibição do comércio entreos domínios de Portugal e Espanha. A decisão insólita e excepcional de fazer tal viagem poder-se-ia prender por um lado à expectativa de que a iniciativa talvez fosse olhada com tolerância, tal como acontecera em viagens precedentes de espanhóis, mas por outro lado, admitimos que tivesse sido tomada em posição de desespero de Gama, pois este teria entretanto sabido que se regressasse a Goa seria preso devido à acusação de ter cometido graves irregularidades. Esta realidade está patente na carta que o rei enviou para o vice-rei em 6 de Fevereiro de 1589, na qual lhe ordenava que quando aquele fidalgo chegasse da "China o façais prender em ferros, e que com eles, sem se lhe tirarem na viagem, seja embarcado pera este reino nas naus desta armada", como já o ordenara em 1587, revelando uma grande irritação face aos crimes por ele cometidos. O fidalgo em causa, contudo, parecia alheado desta realidade em 1588 pois enviou de Macau a 20 de Novembro uma carta ao rei em que o informava da sua intenção de ir a Espanha por via do México com uma alegada justificação de lhe ir pessoalmente dar parte da sua missão à China e mostrar quão fácil lhe parecia empreender-se a sua conquista. Dois dias antes, em 18 de Novembro, Domingos Segurado escrevia igualmente de Macau ao rei para o informar do naufrágio duma nau da Nova Espanha em Macau e do embarque da sua tripulação no navio de dom João da Gama, proprietário de uma viagem ao Japão, que, uma vez em Macau, aceitara a ordem do vice-rei para transportar a dita tripulação e que em sua substituição ele ficava no ofício de capitão de Macau, durante a sua ausência, sugerindo ainda a sua nomeação para esse cargo, ou, em recompensa de seus serviços, a concessão de duas viagens da China para a Nova Espanha.
O navio de Gama depois de iniciar a viagem no Pacífico foi obrigado por uma tempestade a aportar ao Japão onde fez reparações tendo retomado a sua rota em Outubro de 1589, descortinando de seguida uma "Terra de Gama", que talvez corresponda a uma das ilhas Curilhas. Ao chegar a Acapulco em Março de 1590, as autoridades locais fizeram cumprir a legislação real e prenderam o infractor, sequestrando-lhe os bens, que foram avaliados em 140 000 pesos. O processo de dom João da Gama seguiu para a Casa de la Contratación em Sevilha, onde se veio a arrastar. Os restantes mercadores que haviam participado na viagem regressaram a Macau via Filipinas, após uma estadia no México, de onde trouxeram prata.
Admitindo-se que dom João do Gama tenha sido enviado para Sevilha terá sido o primeiro homem conhecido a completar uma volta ao mundo em sentido contrário ao da viagem dos sobreviventes da armada de Fernão de Magalhães, pois tendo ido para Macau pela rota do cabo da Boa Esperança fez a viagem de regresso à Europa por uma via que continuou em direcção ao oriente seguindo as rotas espanholas.
A atitude de Gama foi condenada pela câmara de Macau como o revelam as queixas expressas contra ele na carta do governador Francisco de Sousa Coutinho de 3 de Abril de 1589, pois foi aí acusado de ter vendido a viagem ao Japão a que tinha direito e de ter mandado uma nau sua à Nova Espanha, carregada de fazendas que eram destinadas à Índia. Perante esta situação o governador enviou o licenciado Rui Machado para pôr termo a estas ilegalidades e fazer embarcar para a Índia todos os castelhanos que encontrasse em Macau, denunciando mais uma vez os prejuízos causados pela navegação castelhana à China. Os portugueses continuaram então a manifestar-se abertamente contra a presença de espanhóis em Macau, como o revela o embargo que fizeram a um navio espanhol que em 1590 ali foi.
Como se verifica pela resposta que Filipe I de Portugal enviou a Matias de Albuquerque em 12 de Janeiro de 1591, a carta atrás citada chegara a Portugal, pois refere nela que o governador "pelas desordens que D. João da Gama cometeu na China mandara àquelas partes o licenciado Rui Machado (...) e que antre as cousas que levara por regimento fora que todos os castelhanos seculares e eclesiásticos que achasse naquela cidade fizesse embarcar para essas partes ou pera os Luções, de maneira que não ficassem em Macau senão os portugueses moradores antigos, por se atalhar o prejuízo que nisto recebiam meus vassalos portugueses".
Na conjuntura aqui considerada é de assinalar que em 23 de Maio de 1590 os vizinhos de Manila fizeram uma petição no sentido de serem autorizados a fazer negócios com os mercadores de Macau, continuando a revelar nos anos seguintes interesse em fazer comércio com a China, apesar das proibições de relacionamento luso-espanhol continuarem em vigor, mesmo que não fossem cumpridas. Tal facto verifica-se através da sucessão de ordens que foram sendo repetidas, nomeadamente nas que em 1 de
Março de 1594 foram enviadas ao vice-rei do Estado da Índia Matias de Albuquerque, nas quais se mandava que fosse evitado o comércio entre navios espanhóis e aquele Estado; não restituísse o dinheiro embargado a dom Rodrigo de Córdova, capitão espanhol que aportara a Macau para comprar mercadorias na China por conta de comerciantes espanhóis, e se proibisse o comércio entre as Índias Ocidentais e Orientais. No sentido de reforçar tal atitude o rei enviou mais um alvará em 9 de Março de 1594 no qual confirmava a ordem anterior para "que de todo cesse este comércio e que não haja de nenhuma das partes que estão sob o governo e administração dos castelhanos para as dos portugueses nem de uma a outros", além de que interditava o transporte de religiosos castelhanos para Macau e Malaca, a não ser que tivessem uma licença do rei passada pelos ministros da coroa de Portugal. A mesma proibição mercantil surge numa carta régia de 7 de Março de 1596. A insistência destas medidas é reveladora da sua ineficácia.
A falta de cumprimento das determinações régias está bem patente em 1598, ano em que o rei enviou em 18 de Fevereiro mais uma carta na qual mandava o vice-rei do Estado da Índia, dom Francisco da Gama, conde da Vidigueira, cumprir a provisão que proibia o comércio entre as Filipinas, a Nova Espanha e a China, reforçando tal posição com o envio em 12 de Março de mais um alvará proibindo a navegação do Estado da Índia para as Filipinas e outro de 19 de Março ordenando que todos os anos fosse tirada uma devassa às pessoas acusadas de fazer comércio com as Filipinas, havendo particular cuidado em averiguar se os capitães de Malaca incorriam nessa culpa. Todos os que fossem dados por culpados deveriam ser severamente castigados. Ora nesse mesmo ano de 1598 as infracções às ordens do rei por parte dos espanhóis deram origem a um acto que se revestiu de maior gravidade, o qual consistiu na realização de comércio na China pelo capitão dom Juan Zamudio, que para lá foi numa fragata enviada pelo próprio governador das Filipinas, sob a alegação que os dois reinos tinham o mesmo rei. Este navio foi a Cantão e mediante o pagamento de grandes quantias os espanhóis forram autorizados pelos chineses a fazer comércio no porto chamado do Pinhal, mas com a condição de não desembarcarem e não voltarem lá, como afirmaram as autoridades locais numa tradução portuguesa coeva: "Isto se entenderá por este ano somente e daqui em diante não tornem cá mais". Jin Guo Ping e Wu Zhiliang referem que em Guangdong Tongzhi (Crónica Geral de Guangdong) da autoria de Jin Guangzhu:
"No 5° dia da 8a lua do 26° ano (24 de Julho de 1598) do Reinado de Wanli (15731615), gentes de Lução vieram de repente para ancorarem em Haojing'ao (Baía de Vieira, Macau), solicitando a apresentação de tributos. O governador de Guangdong considerando ilegal a sua entrada, decidiu expulsá-las. Os portugueses de Macau reforçaram também a sua defesa, impedindo o desembarque dos luções. Na 9a lua (Setembro), transferiram-se para Hutiaomen (Porta de Saltos de Tigre), dizendo à espera que os seus barcos fossem medidos. Na 10a lua (Setembro-Outubro), mandaram dizer que tinham chegado a Jiazimen (Porta do Ciclo Sexsagesimal). Avariados os barcos, ficaram a residir em Hutiaomen, sem intenção de se retirar. O Haidao Zhang Banghan enviou para lá tropas, tendo queimado a sua povoação. Na 9a lua (Julho-Agosto) do ano seguinte (1599), é que regressaram para o mar leste. Há quem diga que vieram aliciados pelos comerciantes de Guangdong e Fujian".
Segundo Jin Guo Ping e Wu Zhiliang o local chamado de Pinhal situa-se numa das desembocaduras do Xijiang (Rio de Oeste), situada a cerca de 12 milhas de Macau.
Os portugueses sob o comando de dom Paulo de Portugal fizeram nessa altura múltiplas diligências junto das autoridades chinesas e dos espanhóis para que estes abandonassem aquele local, o que só fizeram em 1599, depois da ocorrência de um confronto em Macau.

Date: 2014-10-21 03:30 am (UTC)
From: [identity profile] mckuroske.livejournal.com
уберите, пожалуйста, большу часть текста под кат.

Date: 2014-10-21 05:08 am (UTC)
From: [identity profile] vazhskiy.livejournal.com
Тешейра.
Dom = дон (титул дворянина в Португалии) , господин.

Date: 2014-10-21 07:48 am (UTC)
From: [identity profile] vazhskiy.livejournal.com
Только так. португальском оно тоже звучит как "дон", да и в испанском тоже.

Date: 2014-10-21 08:23 am (UTC)
From: [identity profile] letberg.livejournal.com
И всё-таки Жуан, а не Жоао.

Date: 2014-10-21 11:03 am (UTC)
From: [identity profile] test-na-trzvst.livejournal.com
по-португальски произносится "жуау", "жуан" - традиционное "испанизированное" написание, всё прочее - варианты.

Date: 2014-10-21 11:24 am (UTC)
From: [identity profile] letberg.livejournal.com
Жуан, конечно. Это ж у кого язык повернётся назвать сына "Жоао"? В Википедии, на страничке португальского есть конкретный пример с Жуаном. "О" безударное, "А" в нос.
Что касается примеров из сети - да, это примеры безграмотности.

Date: 2014-10-21 11:02 am (UTC)
From: [identity profile] test-na-trzvst.livejournal.com
- "очень/чрезвычайно доходное предприятие" или что-то в этом роде, а не "сверхприбыльный бизнес", о 16м веке речь идёт.

- este neto - не означает "именно этот", это, скорей, "именно он, внук Вашку да Гама"

- в тексте ничего нет о том, что он "проложил маршрут португальским кораблям", напротив, подчёркивается, что это был único, то есть, единственный(в своём роде) переход.

- aclamou Felipe I - это не "был "поощрен" Филиппом. я немного сомневаюсь в точном переводе, но, скорее всего, в данном случае - восславил или же - провозгласил ("филиппы" или габсбургская династия пришла к власти в Португалии в 1580, вероятно, речь идёт о том, что эта новость дошла до Малаки, принадлежащей в то время Португалии, только в 1581м, и была, условно говоря, озвучена 23 ноября 1581)

- он не то, чтобы был "оценен" в Макао, а репутация у него была хорошая.

- дальше речь идёт о том, что в том же письме королю правительство Макао (я не уверена, следует ли переводить câmara как "палата", это было правительство, созданное по типу португальских префектур)короля просят сделать д. Жоау да Гама пожизненным капитаном, и проч., и проч.

а какую вообще цель вы ставите? перевести весь доклад о португальском взгляде на историю отношений между макао и филиппинами? перевести всё, касающееся д.жоау да гама?

Date: 2014-10-21 11:36 am (UTC)
From: [identity profile] test-na-trzvst.livejournal.com
это, строго говоря, и не то, и не другое - у него официальный титул capitão de Malaca, Малака, стало быть, капитания, а он ей - губернатор, т.е. "капитан".

фраза звучит так: единственный переход через Тихий океан, совершённый португальским кораблём в 16-18 вв

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